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Características de mulheres brasileiras afetadas por um parente usuário de substâncias: Uma análise e adaptação

  • Douglas José Resende Lima
  • Aug 6, 2024
  • 2 min read


O uso de substâncias por um membro da família está associado a várias  consequências adversas para a saúde mental e física dos familiares. Famílias  que enfrentam esse desafio frequentemente vivenciam dificuldades no funcionamento familiar, problemas de comunicação e baixa qualidade de vida.  Em um contexto onde estima-se que mais de 28 milhões de brasileiros convivam com um usuário de substâncias, é vital compreender as características e necessidades das mulheres que desempenham papéis de cuidadoras primárias desses indivíduos. 



Metodologia 

Este estudo é uma análise secundária de um estudo transversal realizado com  2541 mulheres brasileiras afetadas por um parente usuário de substâncias (SMR  - Substance Misusing Relative). A coleta de dados ocorreu entre junho de 2012  e julho de 2013 em várias cidades grandes das cinco regiões geográficas do  Brasil. As participantes foram recrutadas em diferentes serviços, incluindo  comunidades terapêuticas, grupos de autoajuda como Amor Exigente, grupos pastorais, Narcóticos Anônimos, Alcoólicos Anônimos e clínicas de reabilitação  residenciais.


Resultados 

Perfil Sociodemográfico e Sintomas Físicos e Psicológicos 

A maioria das participantes eram mães (46,6%), com 45 anos ou mais, em um  relacionamento (54,2%), e responsáveis pelo tratamento do SMR (64,9%). Elas  estavam principalmente relacionadas a um SMR masculino (94,7%). As  substâncias de preferência dos SMRs incluíam crack-cocaína (26,2%), cannabis  (20%) e álcool (19,7%). A prevalência de sintomas físicos e psicológicos foi alta,  associada ao status socioeconômico, ser mãe, responsabilidade pelo tratamento  do SMR, uso de cocaína e crack-cocaína pelo SMR e restrições financeiras que  atrasaram a busca por ajuda. 


Padrões de busca de ajuda 

O tempo médio para descobrir o problema de uso de substâncias foi de 9,22  anos, e o tempo médio para buscar ajuda foi de 3,3 anos. Os principais motivos  para o atraso na busca de ajuda incluíam a não aceitação do SMR em procurar  ajuda e a crença da AFM de que poderia resolver o problema sozinha. 


Discussão 

As mulheres AFMs brasileiras relatam altos níveis de estresse psicológico e físico, com fatores como ser solteira, ter um status socioeconômico mais baixo e  ser a principal responsável pelo tratamento do parente contribuindo para esses níveis elevados de sintomas. A proximidade ao SMR também agrava os danos, refletido em mães apresentando níveis mais altos de sintomas em comparação  com tias, por exemplo. As dificuldades financeiras também são um fator significativo na demora para buscar ajuda, ressaltando a necessidade de abordagens que apoiem as AFMs levando em consideração os fatores  contextuais em suas vidas. 


Conclusão 

Os sistemas sociais complexos associados às AFMs femininas e os altos níveis  de sintomas identificados reforçam a necessidade de desenvolver abordagens  que apoiem essas mulheres de acordo com suas necessidades específicas.  Intervenções eficazes devem considerar as características sensíveis ao gênero  e os desfechos de saúde ao abordar as respostas de enfrentamento das AFMs ao problema de uso de substâncias na família. 

 
 
 

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